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Repórter de afiliada da Bandeirantes é agredida ao vivo e protesta: “Isso tem que parar”

A repórter Simone Santos, da TV Tribuna, afiliada da TV Bandeirantes em Pernambuco, foi agredida ao vivo por um funcionário da Caixa Econômica Federal enquanto denunciava a desorganização no atendimento em uma agência no bairro Casa Amarela, no Recife, na última terça-feira, 29.

Durante exibição do programa ‘Ronda Geral’, a jornalista entrevistava beneficiários do auxílio emergencial que formaram fila em frente à unidade da Caixa. Ela atravessou o portão externo com uma cliente, mas permaneceu do lado de fora da agência. Um funcionário apareceu de repente e avisou que a repórter não podia estar ali.

“Eu estou em uma área externa, estou em um banco estatal, então eu posso fazer a reportagem aqui”, rebateu Simone Santos ao ser abordada pelo funcionário responsável pela agência.

A jornalista continuou a transmissão, quando o funcionário ficou na frente da câmera e empurrou a profissional da TV Tribuna, que tentou afastá-lo da imagem.

“Isso é agressão”, acusou o funcionário. “Agressão foi você que me empurrou pelas costas!”, retrucou Simone, sendo ovacionada por quem estava na fila.

O homem insistiu para que a repórter se retirasse, porém ela não se intimidou e foi novamente aplaudida pela multidão: “Eu estou em uma agência da Caixa, é um banco estatal, eu não estou dentro da agência. E eu, como jornalista, se eu quisesse, como cidadã, eu poderia entrar no banco!”.

Algumas horas depois, em sua rede social, Simone se manifestou a respeito do incidente na agência da Caixa e desabafou sobre a violência sofrida pelos profissionais de comunicação. A mesma ainda criticou o presidente Jair Messias Bolsonaro, que para ela estimula a agressão física e verbal contra jornalistas. 

“Eu pensei em ficar quieta, não postar nada. Mas se eu fizesse isso, de alguma maneira, estaria me calando para a onda de violência que nós jornalistas temos sofrido nós últimos tempos. Quem trabalha na rua tem sentido mais. Um ‘cidadão’ já me disse que só não descia da moto para me bater porque eu não era de tal emissora. Verbalmente perdi as contas do que escutei… que iria apanhar, que jornalista deveria apanhar mesmo. A maneira como a maior autoridade do país se porta em referência a nós, jornalistas, só piorou absurdamente isso”, escreveu no Facebook.

“Em local ‘de rico’ ou ‘de pobre’ somos agredidos. Isso tem que parar. As pessoas têm que nos respeitar. A nossa categoria também tem que se unir, e deixar de baixar a cabeça para essas tentativas de intimidação. É um assunto polêmico, delicado, mas mas a essência do bom jornalismo não vai ser extinta. Obrigada a todos e a todas que lá no Instagram, ou pelo WhatsApp, externaram solidariedade. A gente fica triste, mas segue! Hoje lembrei que Graça Araújo [jornalista morta em 2018] uma vez me disse, lá na rádio, acho: ‘Dar voz a quem não tem voz é mais do que nosso dever, é nossa obrigação como jornalistas’. É isso que me esforço pra fazer todos os dias apesar dos obstáculos e dificuldades. E seguirei!”, concluiu.

Por redação

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