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Paulo Guedes culpa avanço de Lula nas pesquisas pela alta nos juros: “guerra política”

O ministro da Economia Paulo Guedes culpou a “guerra política” pela alta da inflação, e por consequência da taxa básica de juros, a Selic. Em entrevista ao jornal ‘Valor Econômico’, Paulo disse que o avanço da Selic para 5,25% se justifica no avanço da oposição nas pesquisas de intenção de votos.

“Vamos para o político. De um lado, Lula aparece à frente nas pesquisas eleitorais. De outro, a reação aqui dentro é a tentação de jogar o Bolsa Família para 400 reais, o mercado especulando se vamos furar o teto. Não tem nada que ver com a realidade  econômica. É um efeito colateral da guerra política, da antecipação eleitoral. Isso leva alguns atores a cometerem excessos, mas logo vem outro e penteia o cabelo de todo mundo”, disse.

Guedes confirmou ainda o compromisso de seguir a risca a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), que estipula o teto de gastos, em 2022. Segundo o mesmo, o mercado enxerga na eleição do ex-presidente Lula a possibilidade de rompimento da responsabilidade fiscal.

“A realidade econômica não justifica isso. O que faria essa ruptura? Uma crise política. Uma parte é desinformação porque muita gente não entendeu a questão dos precatórios, por exemplo, e outra parte é antevisão do problema político. É uma leitura de que, se vier o Lula, fura-se o teto. E de que o Bolsonaro, para bater o Lula, levará o Bolsa Família a 500 ou 600 reais. Não é isso que estamos fazendo. Toda informação tem um sinal: o que está acontecendo de verdade e o barulho. O barulho deste momento é: ‘Olha os precatórios! O governo vai dar calote’”, disse ele.

O ministro detalhou o plano para viabilizar sua proposta. Pagar todas as “milhões” de sentenças de pequeno valor, mantendo o teto de R$ 60 mil integral e imediatamente. Já os “superprecatórios”, dívidas acima de R$ 66 milhões, serão parcelados em uma entrada de 15% e 9 prestações iguais anuais.

Para esses valores acima de R$ 66 milhões, o governo oferecerá a possibilidade de criar um ” fundo de precatórios “, que será bancado pelos recursos obtidos com privatizações.

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