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Covid-19: ala inteira de pacientes morre por falta de oxigênio em Manaus

Enquanto o governo, a empresa White Martins, que fornece oxigênio para hospitais de Manaus, e diversos artistas se movimentam para suprir a demanda pelo gás na cidade de 2 milhões de habitantes, as equipes médicas continuam registrando a morte de centenas de pacientes em diversas unidades de saúde. Em entrevista ao Correio Brasiliense, o procurador Igor Spindola, integrante da equipe do Ministério Público Federal (MPF) que atua no combate à pandemia na região, afirmou que, ontem, faltava oxigênio em 200 leitos de UTI.

A situação mais séria foi registrada no Hospital Universitário, onde pacientes de uma ala inteira teriam morrido asfixiados. “A nossa preocupação, no momento, é buscar oxigênio. A morte de pacientes de toda uma ala ocorreu no Hospital Universitário. Até ontem à noite, foi confirmado o óbito de seis pacientes desta ala. Mas, no meio do dia, e até o final do dia, é possível que tenham ocorrido outras. Eu ainda não consegui falar com o doutor Júlio, responsável pela unidade de saúde, que estava transtornado, pois ainda falta oxigênio e a vida dos pacientes está em risco”, disse.

Segundo Igor Spindola, depois de serem apresentadas ações na Justiça contra a omissão do Estado, o governo federal começou a se movimentar para amenizar a situação. “Eu acabei de ser informado de que seis aviões da FAB vão fazer esse transporte todos os dias, para trazer 30 mil metros cúbicos. Ontem à noite chegaram alguns aviões, e hoje devem chegar mais. Se isso acontecer, conseguimos normalizar o suprimento até que a White Martins consiga expandir a produção do oxigênio aqui”, afirmou.

Até o exato momento, o Amazonas registra 5,9 mil mortes e 223 mil infectados pelo coronavírus, causador da covid-19. Na última quinta-feira, 14, auge da crise por falta de oxigênio, foram registradas 3.816 novos infectados, o maior número em 24 horas desde o começo da pandemia. Também foram contabilizadas 51 novas mortes.

Cerca de 20 mil metros cúbicos/dia de oxigênio estão sendo enviados de balsa de Belém. No entanto, a embarcação demora três dias para chegar a Manaus. A previsão é de que domingo chegue a primeira carga. Nesta sexta-feira, 15, devem ser transferidos 130 pacientes para outras unidades da Federação, e até 700 no fim do processo.

Em nota, o Hospital Universitário Getúlio Vargas informou que “durante o período em que a unidade ficou sem oxigênio na manhã dessa quinta-feira (14), 4 pacientes vieram a óbito, sendo três do Centro de Terapia Intensiva (CTI) e um da enfermaria”. Ainda de acordo com a unidade de saúde, “o CTI, por exemplo, contava com 29 pacientes na manhã dessa quinta (14)”.

Por redação

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