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Delegada do caso Felipe Prior encerra inquérito e decide não indiciar ex-BBB por estupro

Responsável pelo inquérito que apurava as supostas denúncias de estupro contra o ex-BBB Felipe Prior, a delegada Maria Valéria Pereira Novaes, responsável titular da 1ª Delegacia de Defesa da Mulher de São Paulo, decidiu não indiciar o arquiteto e se disse satisfeita com a apuração do caso. Segundo a mesma, a decisão foi por uma questão de convicção jurídica, já que ela não conseguiu ter certeza de que o arquiteto cometeu os crimes dos quais foi acusado.

“Estou muito satisfeita com a apuração que fizemos e eu decidi por não indiciar o Felipe Prior. E todos estão me perguntando: ‘Mas por que, doutora?’. E eu respondo: por uma questão de convicção jurídica”, justifica a delegada, que completa: “A lei me respalda para isso e eu não consegui formar convicção de que ele cometeu os crimes de que foi acusado. Isso não quer dizer que o processo acabou ou que ele é inocente. Nosso relatório ficou em 12 páginas. Agora, é com o Ministério Público”.

Em nota, a defesa de Felipe, feita pela advogada Carolina Pugliese, “destaca que a defesa sempre acreditou que a inocência de Felipe Prior iria se sobrepor a qualquer outra circunstância no curso das investigações”.

Ainda segundo o posicionamento da defesa de Prior, “o trabalho criterioso e responsável da delegada, Maria Valéria Pereira Novaes, e sua equipe, permitiu que o acusado apresentasse as provas necessárias e imprescindíveis durante o inquérito policial. O que nós esperamos agora é que o caso seja encerrado para que a justiça se restabeleça e o Felipe Prior retome o curso normal de sua vida”.

Já a conclusão do inquérito policial foi duramente criticada pelas advogadas das três mulheres que fizeram a denúncia contra o arquiteto. Em nota, as advogadas Maira Machado Frota Pinheiro e Juliana de Almeida Valente afirmam que a ” defesa das vítimas repudia as conclusões da polícia formuladas no relatório final, por entendermos que elas não refletem o conjunto de provas que confirma os relatos das mulheres. Nenhuma das testemunhas de defesa foi capaz de refutar diretamente esses relatos. Somente uma crença infundada em teorias da conspiração explica o relato de quatro mulheres, confirmado por testemunhas, documentos e laudo pericial, ser desconsiderado apenas porque o agressor negou a prática dos crimes. Nenhuma mulher se beneficia de denunciar um estupro”.

Entenda o caso:

Em 03 de abril de 2020, uma bomba contra Felipe Prior, ex-participante do Big Brother Brasil 20, da Rede Globo, veio à tona por meio de uma reportagem da revista Marie Claire, que trouxe o relato de duas mulheres que o acusa de estupro e de uma outra vítima que alega ter sofrido tentativa de violência sexual pelo mesmo.

Com exclusividade, a revista teve acesso a diversos documentos que comprovariam os relatos das vitimas, que tiveram as identidades preservadas. A assessoria de Imprensa de Prior negou-se a comentar as denúncias na reportagem.

Segundo a matéria, o primeiro caso teria ocorrido em agosto de 2014, durante o jogos universitários das faculdades de arquitetura e urbanismo de São Paulo (InterFAU). A moça teria aceitado carona de Prior e, de acordo com o próprio relato, estava bastante alterada pelo consumo de bebida alcoólica.

No caminho, o arquiteto parou o carro e, no banco de trás do veículo, teria praticado o estupro. Devido a penetração forçada, a mulher sangrou e foi a um hospital. No local, não relatou o motivo da lesão, mas possui laudo que comprova uma laceração em seu lábio vaginal.

“Tudo para mim se resume a uma grande agonia no peito. Simplesmente coloquei a violência que sofri debaixo do tapete por seis anos. Achei que não lidando com ela, sumiria em mim. Atrasei dois anos da minha faculdade por causa do estupro. Tranquei todas as matérias do curso porque vê-lo todos dias era torturante. Ele é um cara impulsivo, agressivo. O que mostrou no BBB não chega perto do que é na vida real”, disse a jovem, identificada como Themis (nome fictício), à Marie Claire.

Em 2016, Felipe teria tentado estuprar outra jovem. Segundo o relato da mesma, ele teria a persuadido a entrar na barraca, porém, como não havia preservativo, ela se recusou a fazer sexo. Diante da negativa, o ex-brother teria tentado forçar a relação. Porém, ela conseguiu se desvencilhar. Após o início do BBB 20, ela conseguiu contato com a primeira vítima. As duas decidiram, então, agir.

Já o segundo caso de estupro teria acontecido no InterFAU no ano de 2018, em Itapetininga. O relato da vítima diz que Prior a convidou a entrar na barraca e que o ato sexual começou de maneira consentida.

De acordo com a vítima, durante o sexo, Felipe Prior começou a ficar violento e a teria agredido. Testemunhas na barraca ao lado também relataram ter ouvido alguns gritos de “para” e “está me machucando”.

Enquanto ele participava do BBB 20, a InterFAU foi questionada nas redes de o porquê de Prior ter sido impedido de participar dos jogos. Por meio de um tuíte, eles falaram: “Temos ciência do que está acontecendo e nos pronunciaremos no momento certo”.

A advogada das vítimas explicou para a revista como chegou ao caso. “Esse trabalho começou no final de janeiro, a partir da conversa com a primeira vítima. Conforme tivemos informações sobre a existência de outras, percebemos que, para que os fatos fossem relatados com a devida profundidade e complexidade, teríamos que fazer uma investigação defensiva abrangente. E assim chegamos à segunda e à terceira vítimas e às demais testemunhas. Tivemos inclusive notícia de pelo menos uma outra, que acabou preferindo não depor”, disse ela.

Por redação

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